Pensar o que fazer em Buenos Aires é passear entre bairros de personalidade forte, do colorido de La Boca à elegância de Recoleta. A capital argentina é europeia na arquitetura e latina no jeito, com boa comida e vida noturna intensa. Três a quatro dias cobrem o essencial com folga.
A cidade é plana e caminhável dentro de cada bairro. Para os trechos maiores, o metrô (subte) e os ônibus resolvem bem.
O Caminito, em La Boca, é a rua-museu de casas coloridas e um dos berços do tango, perto do estádio da Boca Juniors. Visite de dia: é um ponto concentrado, e o entorno pede cautela à noite. Aproveite para ver os artistas dançando tango na rua.
Recoleta é o bairro chique, de cafés e museus. Seu cemitério, com mausoléus imponentes, guarda o túmulo de Eva Perón e vale a caminhada sem pressa. Ao redor, o Centro Cultural Recoleta e as feiras de fim de semana completam o passeio, e há bons parques por perto.
O Obelisco marca o encontro com a Avenida 9 de Julio, uma das mais largas do mundo. A poucos quarteirões, a Plaza de Mayo reúne a Casa Rosada e a Catedral Metropolitana. Reserve um horário para a visita guiada ao Teatro Colón, uma das melhores casas de ópera do mundo — o percurso passa pelo Salão Dourado e pela sala principal.
San Telmo é o bairro boêmio de ruas de paralelepípedo, com a famosa feira de antiguidades aos domingos na Plaza Dorrego e tango na rua. Já Puerto Madero, nas docas revitalizadas, é moderno e bom para caminhar à beira d’água, ao lado da Puente de la Mujer, com restaurantes de frente para a água.
Palermo é o maior bairro, dividido entre Soho e Hollywood, cheio de bares, restaurantes e parques como os Bosques de Palermo e o Jardim Japonês. Se tiver um dia extra, o trem parte de Retiro rumo a Tigre, para um passeio de barco pelo Delta do Paraná.
A carne é assunto sério em Buenos Aires. Reserve uma noite para uma parrilla tradicional, em San Telmo ou Palermo, e outra para uma milonga — há shows de tango pagos com jantar e também bailes gratuitos em centros culturais. Nas manhãs, o ritual é um café com medialunas em algum bar histórico.
Os voos internacionais chegam a Ezeiza (EZE), a cerca de 35 km do centro; os domésticos usam o Aeroparque (AEP), bem mais perto da orla. Para o transporte urbano, compre o cartão SUBE, aceito no subte, nos ônibus e nos trens. Sobre dinheiro, a Argentina tem câmbio instável: leve dólares em espécie e confira a cotação vigente antes de trocar.
No primeiro dia, concentre-se no centro histórico: Plaza de Mayo, Casa Rosada, Obelisco e uma visita guiada ao Teatro Colón. Reserve o segundo dia para Recoleta e Palermo, entre o cemitério, os museus e os parques. No terceiro, misture San Telmo — de preferência num domingo, por causa da feira — com La Boca durante o dia e Puerto Madero à noite.
Com um quarto dia, faça o bate-volta a Tigre ou aproveite para ver um jogo de futebol, uma das experiências mais intensas da cidade — os ingressos costumam sair por agências, dada a procura.
Buenos Aires vive de rituais. O tango aparece nas ruas de San Telmo e La Boca, nas milongas de bairro e nos shows com jantar. O futebol move a cidade, com a rivalidade entre Boca e River. E há o costume das longas conversas em cafés notáveis, muitos deles tombados. Deixar tempo para esses momentos, sem agenda, é o que separa uma boa viagem de uma visita corrida.
Vale ainda provar os alfajores e o sorvete artesanal, herança da imigração italiana — em Palermo, as sorveterias disputam quem faz o melhor doce de leite da cidade. Uma parada numa livraria-café, como a famosa El Ateneo, instalada num antigo teatro, fecha bem o passeio.
Palermo e Recoleta são as melhores bases para quem visita pela primeira vez: seguras, bem servidas e cheias de opções. San Telmo é uma boa alternativa para quem prefere um clima mais boêmio e histórico, e Puerto Madero, para quem busca hotéis modernos à beira d’água. O outono (março a maio) e a primavera (setembro a novembro) têm o clima mais agradável, sem o calor úmido do verão. Para esticar a viagem pelo país, veja nosso roteiro de 14 dias pela Argentina. Para programar, consulte o turismo oficial de Buenos Aires e o Teatro Colón.